"História de Portugal em Salvador da Bahia"

Em 1501, numa expedição portuguesa de reconhecimento ao Brasil, descobriu-se a Baía de Todos os Santos, assim baptizada pelo facto de ter sido descoberta a 1 de Novembro, dia de Todos os Santos. Devido à sua privilegiada localização, tornou-se num favorável entreposto de ligações comerciais entre Portugal, Brasil, África e Ásia. Em 1549 foi declarada capital do país, tornando-se a principal localidade do sul, prosperando, em grande parte, devido à mão-de-obra escrava que chegava de todo o continente africano. Aquando das invasões napoleónicas, D. João VI escolheu o Brasil para resguardar a corte e o governo, tendo o acaso levado a comitiva real até a cidade de Salvador da Bahia. Pressionado por Inglaterra, no mesmo ano, 1808, decreta a abertura dos portos do Brasil ao comércio internacional, terminando com o pacto colonial que garantia o monopólio do comércio brasileiro a Portugal. Em 1810 é assinado o Pacto de Comércio e Navegação que pressupunha a garantia de uma percentagem privilegiada à Inglaterra, sobre todos os produtos comercializados no Brasil, face às outras potências.

Entretanto, D. João VI enquanto rei de Portugal, a governar em Salvador da Bahia, fundou a primeira Escola de Medicina do país, a Academia Militar e da Marinha, criou o Jardim Botânico, a Biblioteca Real, a Academia das Belas Artes e o Banco do Brasil. Em 1821, após 11 anos no Rio de Janeiro, embarcou para Lisboa, nomeando D. Pedro I regente do Brasil. Este, em 1822 declara a independência do país proclamando-se Imperador.

A estreita ligação histórico-temporal que nos une a Salvador da Bahia é bastante visível na cidade baiana. Através do património arquitectónico ou cultural, pode-se observar várias similitudes entre ambas as culturas. A cidade de Salvador oferece uma panóplia de lugares a serem visitados, seja pela sua história, arquitectura, temporalidade ou originalidade. O Pelourinho, considerado património da Humanidade pela UNESCO, é o principal ponto turístico da cidade, os vários terreiros, onde se registam as manifestações mais expressivas das religiões afro-brasileiras, as praças, os museus, palácios e solares. Outro atractivo turístico, são os fortes construídos entre os séculos XV e XVII, entre eles o Forte de Nossa Senhora de Monte Serrat, que alberga o Museu da Armaria e de onde se obtém uma vista privilegiada da Baía de todos os Santos.

As 365 igrejas católicas existentes em Salvador, lugares que contém histórias e relíquias de outros tempos, remetem o visitante a um passado onde fé e arte ocupavam um só espaço. A diversidade de estilos, do barroco ao neoclássico, os materiais utilizados para revestir interiores, desde a pedra lioz (calcário rosado) ao ouro e aos azulejos, vindos de Portugal, a grandiosidade das construções, fizeram desses templos para além de casas de culto, monumentos de inestimável valor artístico. Vários exemplos são facilmente encontrados no centro histórico e por toda a cidade, destacando a Igreja e o Convento de São Francisco, uma construção do século XVIII, em que o seu interior é coberto de ouro. Outros edifícios mais recentes, como a Associação Comercia da Bahia, situada na Praça Conde dos Arcos é uma das construções pioneiras de estilo neoclássico da cidade com influência inglesa, concluída na primeira metade do século XIX. Do século XX data a construção do Gabinete Português de Leitura, o único em estilo neo-manuelino no Estado, tinha como objectivo divulgar a cultura portuguesa na Bahia, papel esse ainda actual. É neste último edifício, que permanece até 5 de Janeiro de 2008 a Exposição Fotográfica “Máscaras em Portugal”, uma organização conjunta entre a Progestur, Egeac e Câmara Municipal de Lisboa.

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