Parceiro Cultural
 
Patrocinador Principal "Máscaras em Portugal" e "Máscara Ibérica"
 
Parceiro Desfile Máscara Ibérica
 
Parceria Académica
 

A civilização é um alimento, a cultura um meio de sobrevivência“, disse o físico alemão Georg Christoph Lichtenberg. A frase tem sido continuamente validada ao longo de 230 anos desde que foi pronunciada e foi isso que presenciei e senti no Desfile das Máscaras em Lisboa.

Carnaval. No mês de Maio. Em princípio, nada de invulgar: Também no milenar Carnaval de Veneza, o uso de máscaras era habitual fora da altura do Carnaval, a partir das duas semanas anteriores ao Pentecostes até meados de Junho e desde Outubro até pouco antes do Natal. Existe o famoso Notting Hill Carnival em Londres em Agosto, e desde há uns anos, também na Alemanha o Carnaval das Culturas conquistou as ruas de Frankfurt e Bielefeld, Berlim e Hamburgo. Estas festas primaveris e veranis juntam culturas mantendo a sua individualidade.

O Carnaval das Culturas chegou a despertar o interesse dos investigadores: Na Universidade Wilhelm von Humboldt em Berlim, etnógrafos promovem “estudos de caso do Carnaval das Culturas em metrópoles europeias”. Em Lisboa, podiam ter encontrado muito material e muitos estímulos para o seu trabalho: Transeuntes passam na zona dos peões, turistas observam os pintores na rua, tiram fotos dos monumentos ou descansam nos cafés da Rua Augusta, gozando do sol que já brilha mais intensamente na calçada do que em casa. Eles mostram-se surpreendidos quando na calma da tarde de repente faz-se ouvir, ao longe, o rítmico bater de bombos, o inesperado som de gaitas de foles e outros sons de sopro inidentificável. Avistam-se figuras que parecem acabadas de chegar dum outro século, dum outro mundo. Atrás andam grupos folclóricos com um aspecto mais discretos. Abanam chapéus enormes e coloridos. Aparecem sujeitos completamente envergados de palha. Outros, em trapos, correm de lá para cá e criam uma desordem pacífica. Cada grupo do desfile em Lisboa determina o conteúdo e o tempo para a sua encenação.

E máscaras. Todos eles escondem o rosto atrás de máscaras: Máscaras maciças, esculpidas em madeira áspera, outras parecem filigrana envernizadas, com caras abstractas pintadas com pincéis finos. Trata-se de mostrar a cultura do próprio país e com isso apresentar coisas que mesmo muitos conterrâneos desconhecem. Isto faz com que todos os espectadores se tornem aprendizes, curiosos e admirados. E aviva a vida na cidade, cria uma sensação especial de sociabilidade, porque a gente aprecia, em tempos duma galopante globalização uniformizante, (re) descobrir raízes, traços do próprio modo de vida, da própria história identificando a sua própria cultura.

Isto funciona ainda melhor com um olhar para além das fronteiras para descobrir o que cresceu das culturas intrínseca e comum. Nisso ajuda notavelmente a presença dos convidados espanhóis. Para além de tudo isso, simplesmente foi divertido.

Henrietta Bilawer, Jornalista e tradutora

 
© 2007 PROGESTUR